Regras Para Discutir de Forma Justa: Combine-as em Calma
Ninguém negoceia bem aos gritos. Qualquer regra proposta no meio de uma discussão soa a manobra, porque nesse momento normalmente é mesmo isso. O sentido das regras para discutir de forma justa é serem combinadas num momento completamente banal — um passeio de domingo, meia hora tranquila depois do jantar — quando nenhum dos dois está a defender nada.
Mantenha a lista curta. Cinco ou seis regras de que ambos se lembram valem mais do que quinze escritas num documento partilhado que ninguém abre. E escreva-as como coisas que você vai fazer, não como uma lista de acusações sobre o que a outra pessoa faz mal. O teste de uma boa regra é continuar a aceitá-la na noite em que ela joga contra si.
Porque é que as regras se fazem quando está tudo bem#
Uma regra combinada com calma tem autoridade no momento certo porque ambos a escolheram quando não tinham nada a ganhar. Uma regra inventada às onze da noite a meio de uma discussão não tem nenhuma — lê-se como tática, e a outra pessoa tem razão em ouvi-la assim.
Há também uma razão prática. Durante uma discussão acesa você trabalha com um leque reduzido de opções e com muito pouca paciência para ideias novas. Uma coisa decidida com antecedência pode ser usada sem inventar nada: não está a desenhar um processo, está a seguir um que já assinou.
Um conjunto curto de regras que aguenta#
- Um assunto de cada vez. O tema desta noite é o tema desta noite — nada de trazer as férias, a mãe da outra pessoa ou o mês de março.
- Nada de absolutos. Sempre, nunca, típico, outra vez — empurram a conversa de um episódio para um julgamento de caráter.
- Nada sobre a família, o corpo, o passado ou o maior medo da outra pessoa. O que se diz aí não volta atrás por completo.
- Qualquer um de nós pode pedir uma pausa, e quem a pede diz a que horas volta.
- Nada de sair a bater com a porta nem de castigo do silêncio. Sair da sala pode ser; sair sem hora de regresso não.
- Nada de usar o fim da relação como arma — acabar é uma decisão, não uma alavanca.
Seis é mais ou menos o limite. Se a lista for maior do que o número de regras de que consegue lembrar-se com raiva, é um documento e não um acordo.
O que é que cada regra está mesmo a evitar#
| Regra | O que evita | Como invocá-la no momento |
|---|---|---|
| Um assunto de cada vez | O saco de queixas, em que tudo chega ao mesmo tempo e nada se resolve | 'Isso é real e quero ouvi-lo. Hoje é sobre o dinheiro.' |
| Nada de absolutos | Uma queixa sobre um episódio virar veredicto sobre a pessoa | 'Consegue dizer isso como uma coisa desta vez, em vez de um sempre?' |
| Nada de golpes baixos | Estragos que duram anos depois da discussão | 'Essa está fora da lista. Vamos voltar atrás.' |
| Qualquer um pode pedir pausa | A escalada para lá do ponto em que ainda se ouve alguma coisa | 'Cheguei ao meu limite. Vinte minutos, volto às nove.' |
| Nada de castigo do silêncio | O afastamento usado como castigo em vez de recuperação | 'Não estou a fechar-lhe a porta. Preciso de um bocado e depois volto a isto.' |
| Nada de ameaçar sair como alavanca | A relação ficar condicional sempre que há um desacordo | 'Não vou a lado nenhum. Estou com raiva, que é diferente.' |
Como combiná-las numa só conversa#
Isto não precisa de ser uma cimeira. Vinte minutos chegam.
- Escolha um momento calmo e neutro e diga o que está a fazer: 'Quero que combinemos algumas regras para quando discutimos, enquanto não estamos a discutir.'
- Cada um diz a coisa que mais dói numa discussão. Essas duas coisas passam a regras, sem edição.
- Acrescentem duas ou três da lista acima em que ambos se reconheçam.
- Combinem o que acontece quando alguém quebra uma: um sinal combinado, sem castigo. Dizer 'regra três' em tom neutro costuma chegar.
- Escrevam num sítio banal — um papel no frigorífico, uma nota partilhada no telefone — e voltem a isso daí a um mês.
Contem com quebrar as vossas próprias regras no início. A regra não é uma promessa de perfeição; é um nome comum para aquilo que acabou de acontecer.
Os limites das regras combinadas#
As regras para discutir de forma justa pressupõem duas pessoas em pé de igualdade que querem, ambas, que a discussão seja menor. Encaixam mal em qualquer sítio onde esse pressuposto não se verifique. Se as regras passam a servir de sistema de pontos, ou se as faltas de uma pessoa são sempre desculpadas e as suas são sempre citadas, as regras tornaram-se mais uma arena em vez de uma solução. E não se aplicam de todo onde há medo: medo, ameaças, controlo coercivo ou agressão física não são um problema de estilo de conflito e pertencem a um serviço de apoio a vítimas de violência doméstica, não a um guião. Contacte uma linha de apoio no seu país em vez de tentar negociar melhores condições.
Uma regra que só é invocada contra um dos dois não é uma regra, é uma alavanca.
Perguntas frequentes
E se a outra pessoa não quiser combinar regra nenhuma?
Não faça disto um tratado. Diga uma regra a que você se obriga e depois cumpra-a: 'Não vou trazer coisas antigas a meio de uma discussão e, se estiver demasiado exaltado, vou parar vinte minutos e depois volto.' Uma regra cumprida por um só já muda a forma da discussão, porque a outra pessoa tem menos contra o que subir de tom. Muita gente adere depois de ver aquilo funcionar algumas vezes.
É justo acabar uma discussão indo embora?
Sair com hora de regresso é uma pausa, e é das ferramentas mais úteis que existem. Sair sem hora de regresso é muro de silêncio, e é sentido como castigo mesmo quando não é essa a intenção. A diferença é uma frase: 'Preciso de vinte minutos, volto às nove e meia.' Diga-o antes de sair da sala, e não através de uma porta fechada.
De quanto em quanto tempo devemos rever as regras?
Voltem a elas ao fim de cerca de um mês e depois sempre que uma discussão corra mal de uma forma nova. Uma revisão curta funciona melhor do que reescrever tudo: que regra nos salvou, de qual é que ninguém se lembrou, falta alguma? Mantenham o total curto. As regras acumulam-se com facilidade e uma lista longa torna-se, sem se dar por isso, algo que nenhum dos dois consegue usar no momento em que daria jeito.
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